Governo pressiona Banco Central após manutenção da Selic em 15%
A decisão de manter a Selic em 15% foi unânime entre os integrantes do Copom.
Foto: CBN
O Palácio do Planalto demonstrou incômodo com a decisão do Banco Central de manter a taxa Selic no patamar de 15% ao ano — o nível mais alto em quase 20 anos. Embora as críticas ainda não tenham sido direcionadas diretamente ao presidente da instituição, Gabriel Galípolo, a expectativa é que ele tenha de prestar explicações ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o retorno do petista da COP30. Enquanto isso, os recados públicos do governo vêm ganhando força.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, que havia deixado o tema de lado nos últimos meses, voltou a se manifestar nesta quinta-feira (6). Nas redes sociais, ela afirmou que a manutenção da Selic em 15% “é prejudicial aos investimentos produtivos, ao acesso ao crédito, à geração de empregos e ao equilíbrio das contas públicas”. Segundo ela, “é prejudicial ao Brasil”.
Assim como nas críticas feitas anteriormente ao ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, Gleisi voltou a destacar que “nenhuma economia no mundo pode conviver com juros reais de 10%”.
Um dia antes da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que manteve a taxa no atual patamar, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu publicamente um corte nos juros durante evento promovido pela Bloomberg. Ele argumentou que, apesar da pressão dos bancos, a economia brasileira “não tem como suportar juros tão elevados enquanto a inflação real é de 4,5% ao ano”.
O vice-líder do governo na Câmara, Alencar Santana (PT-SP), também criticou a decisão do Copom. “Acho que está na hora de o Galípolo perceber que a manutenção desses juros não faz sentido. Essa política só sufoca ainda mais o custo do Brasil e o crescimento do país. Está na hora de ele abandonar as amarras deixadas por Campos Neto e entrar em sintonia com a política do governo”, afirmou.
A decisão de manter a Selic em 15% foi unânime entre os integrantes do Copom — incluindo o próprio Galípolo. No comunicado divulgado na quarta-feira, o comitê indicou que os juros não devem ser reduzidos antes de março de 2026. Com isso, os efeitos de uma possível flexibilização na política monetária só devem ser sentidos a partir do segundo semestre daquele ano.
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